Sentimentos e Pensamentos de uma Imigrante.
O primeiro sentimento que me inundou…
“Como é Ser Eu (Dulce) em outro país?”
O pensamento que veio logo a seguir…
“O que será que vou DesCobrir de mim? Longe de minhas referências externas….?”
Desde criança, eu tinha vontade de saber como é morar ou até mesmo nascer em outro país, havia na ocasião que nasci, século XX, anos 60 um “intercâmbio linguístico”, onde escrevíamos cartas e fazíamos amigos de outros países através de “letras postadas”, eu, é claro tive esses amigos….
Mas eu vibrava mesmo, quando meus colegas de escola, ficavam fora por alguns meses ou até anos, para estudar no exterior, lembro-me que prometi a mim mesma quando menina, quando eu crescer , trabalharei duro para custear isso aos meus filhos.
Tivemos então, eu e meu esposo Rubio a oportunidade de patrocinar tais estudos para nossa filha: ela fez intercâmbio em 2007 para Inglaterra e em 2011 para os EUA; o objetivo: afinar o inglês e dar oportunidade de crescer como pessoa.
Foi uma alegria imensa poder patrocinar isso à ela, até lâmpada do quarto quando queimava, ela passou a trocar..
Mas o desejo de morar fora, transitava ainda dentro de mim: “- Um dia, irei.”
Pensava coisas do tipo, como deve ser: “Olhar apenas para frente, sem olhar para trás…..”
O que selecionar para levar?
O que deixar pra trás?
Isso foi vivenciado recentemente por nós…
Eu e meu esposo; experenciamos o princípio da liberdade postulado no Paradigma de Aglael Borges: quando definimos e fazemos escolhas.
Que livros levar? Quais Cd’s? Quais Filmes? Roupas? Sapatos? Documentos?
Ui….
Coisas simples, não?
Pois é.. mas na hora “H” é uma dor danada… DesLigamentos…
sem contar com as pessoas que amamos, se eu pudesse colocava meus 4 filhos ( Luiz, Larissa, Gizele e Emerson), as netas (Valentina e Manuela), parentes, amigos e toda gente que nos são valiosos, na mala… um bom detalhe, trouxe meu neto Rafael na mala…
Então decidimos… vamos instituir um critério: vamos levar apenas o que ADORAMOS e o que USAMOS num período de 1 ANO.
Quanto às pessoas, como não dá para levar todas, gostaria de deixar registrado meu agradecimento aos inventores do Skype, do Whastapp e toda essa parafernália tecnológica, pois se estivéssemos só nas cartas como era no século XX, eu penso que desintegraria de saudades…
Mas o que deu em nosso mundo interno para desbravar dessa forma mais intensa?
Desde que nos entendemos por gente; eu e meu esposo, somos desbravadores, bandeirantes mesmo… amamos o desafio, o novo, enfim o processo de desenvolvimento e aprendizado.
Já vínhamos conversando sobre o tema há uns 3 anos, fomos amadurecendo a idéia e preparando o entorno: nossos sentimentos, pensamentos, os negócios, os filhos, como se observássemos qual o momento certo para pularmos do trapézio da vida e nos experimentarmos em outros cenários.
E chegamos a seguinte conclusão: Por que não?
Já estávamos com os filhos criados, mais maduros emocionalmente e financeiramente e nós desejantes e ávidos por novos desafios e relativamente jovens para continuarmos a empreender e desbravar…
O que então nos impediria?
O medo e o receio dos outros?
Não…
É bem verdade que a violência, a insegurança e o desgosto de nossos políticos brasileiros com uma gestão que prima pela INVOLUÇÃO foram variáveis que influenciaram, mas o nosso desejo e objetivo era de fato nos lançarmos ao NOVO, nos aproximarmos dele, Familiarizar o Estranho… e Estranhar o Familiar…
Olhamos novamente Um para o Outro e falamos: – “Se você Pular eu Pulo!”
Outra variável que nos “pegou” foi a boa influência que recebemos nesses 8 anos de ICF, houve tanto intercâmbio acadêmico e de BOAS PRÁTICAS de trabalho que resolvemos pular do trapézio de forma presencial e não apenas virtual como sempre fizemos em cursos, webinares e eventos de desenvolvimento promovidos pelos Chapters da ICF Global.
Como venho de uma família com descendência portuguesa e espanhola, perguntamos novamente a nós mesmos: – “Por que Não?”
Vale pontuar que tal lançamento carece ser bem pensado e planejado tanto do ponto de vista afetivo, cognitivo bem como social; buscar empreender, fazer parcerias, ter força e curiosidade para INTERAGIR com o NOVO são ações prá lá de importantes e mega necessárias para aquele EU que deseja migrar para outro lugar.
Se você estiver com todas essas dimensões afinadas, não perca tempo; pense em se lançar do trapézio da vida, faz bem a alma e ao corpo.
Se tiver medo, vá com medo mesmo, procure entender: – “ o que esse medo diz sobre você e para você?”
Que competências comportamentais estão ali por trás, aptas a serem desenvolvidas ou até mesmo empoderadas?
Quando tomamos nossa decisão, não compartilhamos com todas as pessoas que amamos até porque a decisão é SEMPRE do EU.
Um processo de TOMADA DE DECISÃO não pode e não deve ser amparado na 3a. Pessoa do Singular e nem da 3a. Pessoa do Plural dos Pronomes Pessoais do Caso Reto ( no caso: ELE, ELA; ELES ou ELAS).
A decisão deve ser sempre do AUTOR e do ATOR principal da Ação.
Sei que parece duro, mas se você pensar cumprido verás que o ESPECIALISTA da vida de um EU e o PRÓPRIO EU e nunca o Grande OUTRO.
Ser e Estar imigrante não é fácil, é uma mistura de muitos sentimentos, pensamentos, valores, necessidades e até competências comportamentais que urgem ser desenvolvidas…
Então viajar, migrar, adotar outro país, é uma grande oportunidade de aprendizagem…
Às vezes me sinto uma plantinha, onde terei a oportunidade de cortar um pedacinho meu ( uma muda da Dulce e outra do Rubio) para ser semeada e plantada em outro lugar…
pode até parecer doida a minha metáfora, mas a energia da vida eterna e o acesso a base do humano mesmo em outra cultura é profundamente percebido e sentido para quem vive o processo de migração.
Somos IGUAIS na base!
E… para esticar o pensamento, convido você leitor que viajou comigo até agora… refleta, quando a gente decolar para o infinito, ou seja, falecer, para qual PAÍS vamos?
Um beijo de barulho na bochecha à todos os humanos que adotam novos HÁBITOS, PESSOAS, ANIMAIS e até PAÍSES como Nós!
Gostaríamos, eu e Rubio de agradecer imenso alguns portugueses que nos adotaram e nos acolheram nesse nosso intenso processo de migração e que hoje são pessoas mui queridas e importantes para nós: Helena dos Anjos, Antonio Delgado, os gatos, Vicente Martins, Alessandra Martins, Antonio Folgado, João Branco, Luís Sanchez, Valentina Garcia, Inês Matias, Jose de Souza, Maria de Fátima Pinto, Isabel Coelho, Carolina Menezes, Armando Borges, Carlos Leitão, Vanda Moutinho, Ana Rita, Dona Paula, Senhor Pinto, Isabel Ferreira, Gina, Ligia, Álvaro, Marilia Lopes e Sergio Souza.
E alguns brasileiros que ReEncontramos em Portugal e viraram nossa família de amigos, pois quando você tem mais de 50 anos, os amigos passam a ser figuras mega, blaster importantes: Claudia Tinoco, Leonardo Tinoco, Fernanda Almeida, Maria Emília e Manuel Almeida.
Finalizando como diz, minha amiga Helena Anjos, um beijo do tamanho do Atlântico!
Com amor e muito carinho,
Dulce Soares
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O Valor do Processo Grupal
Por: Dulce Soares
Estar em grupo é sempre um privilégio, seja no primeiro grupo que começamos nossa vida social: família – 1a. Agência institucional criada pela sociedade, seja no grupo de amigos que fazemos na escola – 2a. Agência institucional criada pela sociedade ou até mesmo no grupo de colaboradores na empresa que trabalhamos – 3a. Agência institucional criada pela sociedade.
Encontrar semelhantes, pessoas que sentem, pensam e agem como nós é sempre um “Porto Seguro”, mas interagir com pessoas que sentem, pensam e agem diferente é sempre uma oportunidade de desenvolvimento vertical, horizontal e porque não dizer diagonal, este para mim é o verdadeiro e maior valor do processo grupal, construir a Unidade na Diferença, Familiarizar o que é Estranho e Estranhar aquilo que lhe é Familiar; isso nos faz crescer, nos faz inclusive amar o próximo como a ti mesmo, pois para o Outro você também é o Outro!
Convido você leitor, a entrar nesta viagem, começamos por algumas definições de termos…
Processo Grupal -> Conceito cunhado pela Psicologia Social – interação social, é a manifestação do comportamento de uma pessoa com o outro ou pela simples expectativa de tal interação. É através dos grupos que as características sociais mais amplas agem sobre o Humano. Eis o primeiro grupo do qual fazemos parte – Grupo Familiar, nele aprendemos a língua de nossa nação e a partir daí, este aprendizado possibilitará o nosso ingresso em outros grupos sociais e sua participação nas determinações que agem sobre ele. O casamento, a família, a escola, a faculdade, a equipe de trabalho, a empresa, a religião e o clube esportivo, todos tem seus padrões e portanto são institucionalizados. Em breve, irei mostrar as semelhanças e diferenças das formas que podemos lidar com o processo grupal, demonstrarei através de um rico trabalho, transformado num livro que será publicado em 2017, são dois trabalhos incríveis feitos no ano de 2016, ministrado por mim, pelas coaches portuguesas e por Rubio Soares – Todos Coaches: apaixonados pela arte,ciência e avanço de nossa profissão.
A trama tecida no TeAr do Conhecimento, será sobre o Coaching de Grupo e o Coaching de Equipe, apresentaremos o espaço do Nós na vida de um Eu e o quanto o nosso mundo carece desta interação, dessa construção, dessa troca.
Teremos o privilégio de ler as construções de 6 coaches que eu tive a honra de encontrar na minha vida, temos o registro simbólico de que o “Senhor Tempo” parou para olhar para nós…
A segunda parte do livro, tratará do Coaching de Equipe, modalidade aplicada numa empresa de Tecnologia da Informação com uma equipe bem jovem, numa faixa etária de 20 à 30 anos e que estão trabalhando juntos em torno de 1 ano.
A outra empresa é uma Organização Não Governamental, cuja a faixa etária varia dos 30 aos 50 anos, esta equipe trabalha junto há 6 anos, ambas estão situadas no estado do Rio de Janeiro, ambas existem no mundo corporativo há mais de 20 anos.
Você leitor, poderá perceber nestes dois casos as diferenças e semelhanças entre o Coaching de Grupo e o Coaching de Equipe, perceberá também diferenças presentes no próprio Coaching de Equipe, uso de determinadas técnicas, dinâmicas, etc.. situações bem interessantes relacionadas ao sucesso da intervenção, do melhor aproveitamento dessa modalidade de coaching pelas pessoas da equipe dessas duas empresas bem diferentes e que fizeram parte desse projeto.
Ficou curioso?
Que bom! A Curiosidade é uma das características de um bom Coach, seja ele/ela: “One to One ou From One to Many”.
Dulce Soares
Coach de Grupos e de Equipes.
Autora do Programa:Coaching de Grupo para Pais & Programa de Mentoring para Coaches.
Que vão aplicar ou renovar sua credencial ICF, Acreditado como CCE pela ICF.
Coach de Relacionamentos e de Carreira. Senior Executive Coach & Life
Coach. Membro Credenciada PCC/ ICF e Past President ICF/ RJ.
